sábado, 13 de março de 2010

Adiós, Glauquito




A violência no Brasil mais uma vez mostra a sua cara. Perdemos o incomparável cartunista Glauco Vilas Boas, assassinado junto com seu filho num ato brutal cometido pela inconsequência, insanidade, estupidez e total falta de humanidade de um assassino covarde e desmerecedor de conviver em sociedade. Um crime que acabou chocando o país.

Não posso imaginar a dor de sua mulher e de seus familiares e amigos, pois sua morte também deixou a nós, que somos admiradores do seu trabalho há muitos anos, tristes e perplexos.

Com suas tiras publicadas nos principais jornais do país, Glauco retratava o cotidiano da sociedade e satirizava os absurdos da política de forma irreverente, inteligente e bem humorada com seu traço polêmico.

Los Três Amigos, Glauco e os cartunistas Angeli e Laerte, tornaram-se populares nos anos 80 pelas tiras de diversos jornais e revistas da Editora Circo, como Chiclete com Banana. As revistas acabaram fazendo parte da minha juventude e contribuíram para a formação do pensamento crítico,  contestador e satírico de muitos da nossa época. Naquele período de transição do regime militar para a plena democracia(?), ele, assim como outros grandes cartunistas, nos brindaram com seus personagens pornográficos, tarados, drogados, neuróticos e tantos outros politicamente incorretos, contribuindo para a introdução e popularização do quadrinho adulto no cenário nacional e nos tirando da mesmice de Tio Patinhas, Mônica e da americanizada Mad. Não esquecendo de mencionar a contribuição do precurssor O Pasquim e outros como o Planeta Diário e Casseta Popular.

Glauco seguia a cartilha do saudoso Henfil, que morreu de Aids contraído em uma transfusão de sangue contaminado com o vírus. Henfil dizia que o traço devia obedecer à idéia, e não o contrário.

Pessoalmente, ouso dizer que a genialidade do traço ágil e quase primitivo de Glauco pode ser comparado a um Picasso das tiras, com seus personagens inesquecíveis como Geraldão, Doy George, Zé do Apocalipse, Casal Neuras, Dona Marta, e tantos outros desenhados com vários braços e pernas, segurando vários objetos ao mesmo tempo, que tornavam o seu trabalho único, inconfundível e genial. 
Adiós, Glauquito.

Fica aqui registrada a minha indignação e desejo que se faça justiça, e que esse assassino demente que nem merece ter seu nome aqui citado, pague pela maldade e inconsequencia desse ato que deixou nos deixou órfãos da sua graça e espontaneidade. O Brasil ficou mais triste e o céu mais alegre.



terça-feira, 20 de outubro de 2009

Um Domingo Especial

Domingo passado fui com meu filho Felipe e minha irmã Ana Lúcia assistir Grêmio x Coritiba em Porto Alegre, no Olímpico Monumental. O jogo em si não empolgou, mas o Grêmio fez o dever de casa, ganhando por 2 x 0, mesmo jogando somente o bastantão. Destaque pro Victor, como sempre, salvando o time de tomar gols, pois a defesa continua afoita e sonolenta às vezes. Mas o que conta foi minha alegria de voltar ao Olímpico pra ver meu time jogar após mais de 20 anos. De quebra levei meu filho Felipe pela primeira vez pra assitir uma partida de futebol de um time de primeira divisão, pois aqui nas paragens capixabas, infelizmente, o futebol não existe. A Ana, minha irmã, fez questão de ir junto e vestir a camisa do Grêmio, segundo ela dizendo “o que a gente não faz por um irmão”. Mas ela confessou que gostou muito, principalmente porque assistimos o jogo das tribunas de honra do estádio, cortesia do conselheiro Vicente Martins, colega de meu irmão João Carlos (colorado). Bah, pra eles foi o máximo, afinal de contas era a primeira vez que iam a um estádio ver um jogo ali, junto aos gritos, a vibração e a empolgação da torcida. Pude constatar que nesse retorno à casa gremista não vimos um tumulto ou qualquer confusão, e sim muita gente bonita, crianças, mulheres, idosos, enfim tudo na paz como deve ser. Agradecimentos especiais a minha irmã Ana pelas passagens a Porto Alegre, me proporcionando rever a família em primeiro lugar, e também ao meu irmão "Joãozinho" pelos lugares privilegiados que conseguiu pra gente. Família é tudo. A gente quase não se vê e às vezes quase não nos falamos devido à distância, mas o amor e a união que temos supera tudo. Amo vocês e sinto muitas saudades. Espero voltar muito em breve pra rever todo mundo.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Adeus, Billy

    10/11/02 - 01/09/09

Billy, o beagle de meus filhos, morreu noite passada. Quando percebemos os sinais da cinomose que o acometeu já era tarde demais para tratamento. Lembro-me do dia que fui buscá-lo num canil especializado nesta raça em Guarapari, com 45 dias de vida, e da felicidade dos meus filhos pelo presente de natal que eles tanto queriam. Um cachorro dócil, bonito como poucos, brincalhão, arteiro e companheiro que alegrava e protegia o nossa casa. Querendo ou não a gente se apega aos animais e eles acabam fazendo parte da família de tal forma que a sensação de perda é imensa, principalmente quando se olha para o quintal e não o encontramos. Nesses últimos dias a doença o fazia sofrer com as dores e a falta de mobilidade, que o deixava prostrado. As tentativas de cura e de tratamento para amenizar seu sofrimento não foram suficientes para salvá-lo. Ficará eternamente em nossas lembranças pelos momentos de felicidade, alegria e fiel companhia que ele nos proporcionou nesses poucos anos em que o tivemos conosco.

Descanse em paz, Billy, e obrigado por ter feito parte de nossas vidas.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Mas o que é a escola?

 
Recebo semanalmente e-mails relativos à Educação enviados pelo site Profissão Mestre. Entre seus colaboradores está Gabriel Perissé, que escreveu esse texto brilhante e realista para que possamos refletir sobre o papel da escola e sua finalidade. Boa leitura.

Mas o que é a escola?

A escola não é ilha isolada no oceano social. Não é lugar para guardar crianças, ou reformá-las, embora possa ajudar, orientar e até alimentar. A escola não é paraíso. Nem inferno. A escola não está aí por acaso. A escola salvará a sociedade se a sociedade salvar a escola.

Os professores na escola não são mágicos, não são heróis (embora heroísmo não falte a muitos deles), não são gênios (muito menos da lâmpada), não são mercenários, não são santos, não são famosos, não são poucos, não são suficientes, não são muitos, não são o que pensamos que são.


Os professores são pessoas cuja profissão é ajudar na humanização de outras pessoas, os alunos. Cabe aos professores avaliarem os alunos. Avaliação não é punição. Não é acusação. Não é vingança. Não é fatalismo. Não é perseguição. Não é condescendência.


Cabe aos pais acompanharem os filhos. Conversar com os filhos sobre a escola. Conversar com a escola sobre os filhos. Conversarem pai e mãe entre si sobre a escola que os filhos freqüentam.


Cabe aos alunos entenderem a escola. Cuidarem dela. Defendê-la. A escola não é ponto de tráfico de drogas. A escola não é a sede do tédio. Não é apenas lugar de encontro. Mas o que é a escola mesmo?


A escola não é uma idéia vaga. Não é um lugar onde há ou não há vagas. Não é vagão de trem onde entramos e do qual saímos quando chega à próxima estação.


A escola não é a sua quadra de esportes, não é um conjunto de salas de aula, não são suas paredes (sujas ou limpas), janelas (abertas ou fechadas), portas (com cadeados ou não), armários (vazios ou cheios), escadas (perigosas ou seguras), computadores (novos ou obsoletos), bibliotecas (reais ou fictícias). A escola não é o que vemos.


A escola não é arquivo morto. A escola não é cabide de empregos. Não é moeda de troca política. Não é campo de batalha. Não é um curso de idiomas. Não é empresa competitiva. A escola não é clube, não é feira, não é igreja, não é partido.


A escola, o que é? Sabe a escola nos dizer o que ela é? Alguém sabe?


A escola é um problema insolúvel.


A escola é uma probabilidade.


A escola é uma experiência.


A escola é uma esperança.


Gabriel Perissé é doutor em Educação pela USP e escritor. Autor dos livros Literatura & Educação e Os sete pecados capitais e as virtudes da educação.

Website: http://www.perisse.com.br/

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Cartel em Aracruz

Dias atrás recebi um e-mail que acusa os donos de alguns postos de combustível de Aracruz por suspeita de formação de cartel. Reproduzo o seu teor tecendo alguns comentários.

Há muito tempo os condutores de veículos desta cidade já haviam percebido essa atitude descarada cometida pelos donos de postos que, além de enriquecerem, vão de encontro ao estabelecido na legislação com a maior tranquilidade por se acharem impunes.

Vamos usar, por exemplo, o preço da gasolina comum de alguns postos de Aracruz (valores praticados em 19/08/2009):

Posto 13 de Maio (Petrobrás) - R$ 2,68
Posto Central (Petrobrás) - R$ 2,68
Posto Trevão (Petrobrás) - R$ 2,68
Posto Golfinho (Ipiranga) - R$ 2,68
Posto Sauassu - R$ 2,66

O único que não tem o mesmo preço dos demais é o Posto Sauassu, mas com um diferença mínima, de apenas 2 centavos.

Em Coqueiral, a gasolina custa R$ 2,59 (Petrobrás), quase dez centavos mais barata. Se for à praia, aproveite e abasteça.

No municípios vizinhos podemos encontrar gasolina com valor muito abaixo dos praticados por aqui.

Ibiraçu: R$ 2,47 (Petrobrás)
Fundão: R$ 2,49 (Ipiranga) e 2,39 (Ale)

Até quando vamos ter que pagar mais caro pelo litro da gasolina na nossa cidade por causa desse possível acordo estabelecido entre esses donos de postos?

Uma coisa simples que podemos fazer, sempre que possível, é evitar ao máximo abastecer nos postos de Aracruz, ou então colocar combustível suficiente pra ir até um dos municípios vizinhos e depois abastecer uma quantidade maior lá, como muitos que eu conheço já fazem.

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O que é Cartel?
É o “acordo de cavalheiros envolvendo uma pluralidade de agentes que atuam de forma subreptícia, informalmente, com o objetivo de:
- aumentar preços,
- reduzir a produção (para aumentar preços),
- dividir mercados entre concorrentes,
- fixar quotas de vendas entre concorrentes,
- reduzir níveis de inovações tecnológicas em produtos, ou reduzir a qualidade de bens e serviços”.
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Conceito do Subprocurador-Geral da República, Antônio Fonseca:
São os “acordos explícitos ou tácitos entre concorrentes do mesmo mercado, envolvendo parte substancial do mercado relevante, em torno de itens como preços, quotas de produção e distribuição e divisão territorial, na tentativa de aumentar preços e lucros conjuntamente para níveis mais próximos dos de monopólio”.
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Alguns fatores estruturais favoráveis que podem favorecer a formação de cartéis:
a) alto grau de concentração de mercado;
b) existência de barreiras à entrada de novos competidores;
c) homogeneidade de produtos e de custos;
d) condições estáveis de custos e de demanda.
(Resolução 20, de 09/06/1999, do Conselho Administrativo de Defesa Econômica - CADE)
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Lei 8.176/91
“Art. 1º. Constitui crime contra a economia:
I – adquirir, distribuir e revender derivados de petróleo, gás natural e
suas frações recuperáveis, álcool etílico hidratado carburante, e
demais combustíveis líquidos carburantes em desacordo com as
normas estabelecidas na forma da Lei.
(...)
Pena – detenção, de 1 (um) a 5 (cinco) anos”.
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Vamos fazer nossa parte denunciando e boicotando esses postos. Gostaríamos muito que a imprensa divulgasse essa prática suspeita, que as autoridades investigassem e que o Ministério Público tomasse as devidas providências cabíveis para acabar com essa farra e punir e os responsáveis, se devidamente comprovada essa prática.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Os mais famosos do mundo


clique na imagem para ampliar

Um desafio cultural para testar nossa memória. Admire o belíssimo trabalho desse artista ao retratar essa incrível reunião de personalidades. Tem de tudo neste quadro: artistas, esportistas, escritores, cientistas, ditadores, pintores e outros que mudaram o rumo da história. São mais de cem personalidades que aparecem na tela. Quantas delas você é capaz de identificar? O ideal é identificar pelo menos 20. Bom divertimento.

Agradecimentos

Como já era esperado devido ao conteúdo da minha última postagem, recebi alguns comentários. De uns recebi elogios, de outros só porrada e ofensa. Aos primeiros, meu apreço e agradecimento, aos outros meu desprezo e indiferença. Não me incomodo com esse tipo de crítica, nem perco o sono, pois partem de pessoas que, quando não tem argumentos, quando a realidade dói, quando o carapuça serve, recorrem à baixaria e ao ataque com palavras de teor agressivo, anônimo e covarde.

Ninguém é obrigado a ler o que escrevo e muito menos concordar comigo. A Internet esta aí mesmo pra isso, tem coisas infinitamente mais interessantes do que acessar esse blog, basta um clic pra ir pra viajar pelo mundo. Agora, quem perde o seu precioso tempo para ler e se ofender, paciência. Quem refresca cú de pato é lagoa. Se ficou nervoso, vai pescar. Se o ignóbil teve o trabalho de enviar comentários ofensivos e impensados, é porque devo ter acertado na veia. De qualquer modo, muito obrigado, se eu os incomodei, se eu os fiz gastar tempo rascunhando impropérios tentando me intimidar e ofender, é porque atingi meu objetivo, e isso me incentiva ainda mais a escrever e divulgar meus textos e opiniões.

Aproveito a oportunidade para sugerir aos incomodados o seguinte: assistam a um bom filme, passem a escutar músicas de qualidade, comecem a ler obras literárias de autores consagrados pra ver se aprendem alguma coisa útil para si e para a sociedade e, principalmente, aprendam a expor suas idéias escrevendo de modo racional e civilizado. Defendam seus pontos de vista com argumentos e idéias próprias, se conseguirem realizar essa proeza. E se lhe convierem e tiverem capacidade, cultura, educação e decência, podem debater comigo pessoalmente.

Ofensas e acusações realizadas via internet tem o mesmo efeito de realizadas no mundo real, ou seja, geram o direito à indenizações por danos materias e morais, bem como constituem crimes apenados com multa e até pena de prisão. A melhor forma de proceder é fazer o que eu faço, ou seja, gravo a ofensa recebida ou a imprimo para evitar o perdimento da prova. Identificada a autoria, e realmente tratando-se de ofensas injustas, cabe uma ação civil e penal.

Agradecimentos especiais ao Cidinei e ao Alcântaro pelos comentários recebidos. Por suas palavras e seu incentivo demostram serem pessoas dignas de consideração e respeito.